29.8.07

SUMA DE ANA-NAS

Simplesmente não nos apetecia ficar em casa. Queríamos ter uma noite fantástica. A Patrícia, que era a minha primeira amiga de verdade, e a melhor, veio ter comigo. Era a meio da semana. Não era o aniversário de ninguém e não tinhamos nenhum pretexto para sair. Eu já tinha feito anos e a Patrícia, que é do signo Virgem, só faz em Agosto. Então combinámos que pelo menos não podíamos chegar tarde. Era a condição que nos impúnhamos a nós mesmos, para nos permitirmos sair. Nós criávamos sempre assim umas regras, como foi a regra de acreditarmos com toda a convicção que era verdadeiro e fruto de uma grande pesquisa, um trabalho de vinte páginas feito à noite na mesa do café, sobre não sei o quê, para a disciplina de Antropologia Cultural, e que a Patrícia ia criando a cada linha que se aumentava. Como que uma espécie de fermento mágico fruto da nossa imaginação, o trabalho cresceu e nunca ninguém descobriu em que forno tinha sido cozido. Telefonámos à Paula para vir te conosco, mas acabámos por nos encontrar com ela no Santa Cruz. A Paula era assim género, menina certinha de pólo e camisa aos quadradinhos, que quando íamos para os copos dizia que era a Adriana. Ora, a Paula Adriana, era também aquela que às sextas de manhã inventava uma necessidade vital de tomar um café às oito e um quarto, note-se que faltavam quinze minutos para a aula começar, e que acabava sempre por me convencer e fazer gazeta à primeira aula, que costumava ser de história, com uma professora que dizia que o D. Sebastião era coxo e maricas. Lá nos encontrámos com a Paula no Santa Cruz, que é uma espécie de Igreja convertida em café, e onde muitas bebedeiras apanhámos. Não sei o que os católicos acham de nós estarmos a encharcarmo-nos em cerveja e a rir que nem doidos, mas para nós era sem dúvida muito divertido. Bebemos umas cervejas para começar a noite que ia ser fantástica e decidimos ir a um bar novo Holandês. Nessa noite, a Paula tinha decidido não mudar de nome a noite toda e só beber sumo. Contrariamente eu e a Patrícia queríamos beber até deixar de sentir o chão. Eu já o estava a deixar de sentir de tanta gargalhada, quando a Paula tentava pedir à holandesa “uma sumo”. Aquilo já parecia o “Quem quer ser Milionário!” quando a empregada diz muito espantada com ar de óbvio: “Oh! Suma de Aná-nas!” Quando ela finalmente percebeu, eu tinha motivos suficientes para não perceber porque é que a Paula não tinha pedido uma cerveja holandesa como nós, que era bem mais divertido e facilitava a vida à pobre holandesa. Mas ela estava com o carro emprestado da mãe e queria portar-se bem. Saímos do bar a gozar com a Paula e a dizer que a seguir na discoteca Scotch, onde iríamos dançar toda a noite, só íamos beber vodka MAS com suma de Aná-nas! Deixámos o carro do outro lado do parque, e para a policia não perceber, eu escondia uma lata de cerveja no meu casaco de ganga da Lewis que a minha mãe tinha comprado ao meu primo que estava nas tropa em Tancos e que trazia mais barato não sei quê da base aérea. Íamos os três no carro da mãe da Paula a caminho do Scotch, num estranho silêncio. A Patrícia ia atrás a pensar na vida e a rir-se sozinha enquanto olhava as pessoas pela janela do carro. Eu estava à procura de uma cassete dos Doors, que a Patrícia me tinha ensinado a gostar, e que eu não conseguia encontrar no porta-luvas. Quando sinto um embate. Levanto a cabeça e percebo que não tinha percebido nada. Eu estava à procura da cassete dos Doors e a Paula bateu no carro da frente? Tentámos acalmar a Paula, que estava muito mais calma do que nós, e que dizia: “Eu só bebi suma de Aná-nas!” E era verdade, a Paula não tinha tocado numa gota de álcool, nem numa daquelas gotinhas pequeninas que aparecem nas folhas quando começa o orvalho. Tudo porque se queria portar bem com o carro da mãe, e acabou por levá-lo para casa com o pára-choques todo partido. Acho que com o susto o efeito do álcool nos passou, e o pior de tudo é que tínhamos de voltar para minha casa a pé. Se a Paula pelo menos tivesse bebido vodka eu ate percebia, mas ela bebeu suma de Aná-nas a noite toda. Aquilo não fazia sentido. Parecia que por destino não era suposto nós sairmos à rua nessa noite. Foi tudo tão rápido que acabei por não perceber nada. Só sei que eram três da manhã e eu e a Patrícia estávamos a voltar a pé para casa, sem termos dançado a noite toda no Scotch, sem termos tido um noite fantástica, e ainda por cima doía-nos as pernas de termos vindo a pé, porque a Paula tinha tido um acidente com o carro, apesar de só ter bebido suma de Aná-nas. Mas pensando bem, no meio de tanta coisa, até tínhamos tido uma noite bastante fantástica.

à Patricia e à Paula

9 comentários:

Gemini disse...

O mais engraçado na vida é que não só podemos divertirmo-nos em momentos inesperados, como com coisas e acontecimentos surpreendentes. ;)

Há coisas tão ridículas que só resta rir.

Mike disse...

E rir é sempre o melhor remédio...

Anónimo disse...

E o que calhava bem era uma "suma de ana-nas" ;)~

abraço***

Nuno disse...

Coimbra ^^ a minha cidade =D
Coimbra tem mais encanto... muahahah
Quanto à crónica só posso dizer: Coitada da rapariga =/
xD
Abraço

Martinha disse...

Que noite engraçada... Coitada da rapariga... Não terá ouvido da mãe por ter chegado com o carro já com um dano no pára-choques?
Beijo *

Tiago disse...

desafiei-te! :P

beleza de mulher disse...

so posso dizer conseva_os porque tens bons amigos tens sorte
beijos

LoiS disse...

À Paula Adriana!

;)

Anónimo disse...

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