19.5.07

CALA-TE CABRA!

Eu estava à espera de um táxi e a falar ao telemóvel com uma amiga minha, para me reservar uma carteira linda, que ela recebeu de Itália. Ela já me tinha dito que da última vez que lá foi, tinha vistos umas carteiras que eram de cair pró lado e que eu ia morrer quando as visse. O táxi nunca mais aparecia e não me apetecia de todo chegar atrasada ao jantar com o Bernardo na Bica do Sapato. Afinal tinha-me dado um trabalhão convence-lo a marcar mesa lá em baixo onde tá toda a gente. Ele insistia que queria comer sushi, e eu a dizer-lhe, oh querido que disparate, eu quando quero comer sushi vou ao Mandarim ou ao Bonsai. Se vamos à Bica, desculpe, mas é pra sermos vistos. Os Prada já me estavam a magoar quando vem um miúdo em minha direcção a correr. Eu assustei-me e fiquei preocupada, nunca ninguém tinha corrido assim em minha direcção. Coitado, deve estar aflito, pensei. Quando chegou perto de mim dá-me um estalo na cara. Assim sem mais nem menos. Eu fiquei perplexa a olhar para ele. Não podia acreditar. Isto não me estava a acontecer. Ainda lhe disse: “Ouça, o menino ´tá parvo?” Com o susto devo ter deixado cair a carteira no chão. Ele tira-me o telemóvel da mão, a minha amiga do outro lado da linha sem perceber nada a gritar “oh Rita, oh Rita, diga lá se quer a carteira ou não, oh Rita, oh Rita, tá-me a ouvir, oh Rita, oh Rita” e ele desata a correr. E eu ali assustada continuei a falar com ele. Que eu não achava normal ele deixar-me ali sozinha sem telemóvel e com a cara inchada. Tinha acabado de fazer uma limpeza de pele que ele arruinava com aquelas mãos peçonhentas e imundas que já não deviam ver água há anos, lá nas barracas onde ele vivia. Ainda me está a doer a face. Ele era miúdo mas tinha força. E perguntei-lhe como é que eu agora ia reservar a carteira italiana? E se a minha amiga a vende? Perguntei-lhe porque é que ele me estava a fazer aquilo a mim. Porquê eu? Porque é que me tinha escolhido a mim? Com tanta gentinha para assaltar porque tinha sido eu a real premiada por um suburbanazinho, que nem sequer deve ter inteligência suficiente para saber descortinar aquele telemóvel, que alias tinha sido caríssimo, e nem eu me entendia com ele. Aquilo era mais sofisticado que um mini-computador com a ultima versão de software aos gritos nãos Estados Unidos. E pensei, isto não me está a acontecer. Se isto sai no 24Horas é um escândalo. Ouça, pelo menos deixe-me enviar um sms à minha amiga a reservar a carteira. E o Bernardo que está à minha espera na Bica do Sapato, coitado. Ele que já ia ao fundo da rua, vem outra vez a correr em minha direcção. Eu pensei que me vinha devolver o telemóvel, ou pelo menos deixar-me ligar à minha amiga para poder dizer-lhe para não vender a carteira, que eu estava interessada. E pensei, ora afinal por vezes até nos enganamos com as pessoas. É o preconceito. Este suburbano que vem lá das barracas, afinal até tem algum bom senso e educação, apesar de não ter tido berço. Ainda ouço o telemóvel aos gritos “oh Rita, oh Rita, diga lá se quer a carteira ou não, oh Rita, oh Rita, tá-me a ouvir, oh Rita, oh Rita” e ele levanta a minha carteira do chão. E eu pensei, olha que querido, até levanta a minha carteira do chão. Que amoroso! Pára. Olha para mim muito sério e pergunta: “ Esta carteira é tua?” eu aceno que sim com a cabeça. Sorrio. Afinal com todo o meu discurso, consegui incutir qualquer coisa naquele cérebro minúsculo forrado a uma cara suja e piercings. É sempre possível ajudar alguém. E sempre acreditei que a conversar o ser humano se pode entender e que a comunicação é o princípio dum bom relacionamento. Ele olha novamente muito sério para mim e diz: “Então vê se te calas, cabra!” pega na carteira e desata a correr pela rua com ela e com o telemóvel. E agora? Como é que eu vou ficar sem a minha carteira fantástica e giríssima que a minha amiga trouxe de Itália?

8 comentários:

alguém+ neste mar d gente... disse...

eu li e comento: ri-m si senhora. gostei

Lu@r disse...

Não vejo outra solução do que a esquecer.

Abraço

Denise disse...

Até para se ser ladrão tem de se ter sorte...
Mulherzinha mais banal...!*

Martinha disse...

Infelizmente essa é uma realidade que se vê no nosso mundo.
Já não se pode andar tranquilamente na rua com objectos topo-de-gama, q corremos o risco de ficarmos sem eles.
Gente gananciosa e ladra... Contra isso acho que não há nada a fazer.
Boa crónica :)

Daniela Mann disse...

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Pralaya disse...

Adorei o "Cala-te Cabra!", apesar de ser contra os roubos, mulher irritante não heheheh mereceu... um pouquinho não tanto.

Nuno disse...

Ouça, que caturreira, tá a ver? Sei lá, é que estive a rir do princípio ao fim, tá a ver?
XD abraço

Anónimo disse...

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