11.5.07

ÉFE PONTO




Depois da tua mensagem escrita, guardo discretamente o teu número de telefone sem que ele perceba. Atribuo-lhe um código. F. É assim que ficas registado para mim. Éfe ponto. Como um militante da resistência francesa que se apaixona pelo inimigo. Como diria Marguerite Duras “O meu amor é um inimigo da França!” E tu meu amor? Vais matar França, ainda que eu esteja em plena Place Vendôme, a escrever-te? Se és o inimigo, e apaixonarmo-nos por um inimigo é proibido, então deixarei França. Mas inimigo de quem? Meu? Não. Talvez sejas inimigo da minha infelicidade, isso sim. Inimigo desta espécie de relação que arrasto cegamente, tal como um condenado arrasta acorrentado o peso de uma bola em ferro, e vai deixando pelo chão os braços, as pernas, e todos os seus membros, até deixar completamente de existir. Às vezes ainda procuro por aí, à noite, braços e pernas, que se possam parecer com os meus. Mas não encontro nenhuma letra da minha existência. Encontro uma. Éfe ponto. São as tuas mensagens discretas, tímidas e proibidas que me alimentam, e que põem em causa esta minha infelicidade. Vem meu amor, vem como inimigo feroz entrar em campo de batalha. Combate, luta por mim, enfrenta, levando-me para bem longe daqui. Prometo que no final desta batalha, aqui ou em Hiroxima eu farei feliz o “O meu amor é um inimigo da França!”, mesmo que também tenha de rapar o meu cabelo por ti. Respondo discretamente às tuas mensagens proibidas, e mesmo antes de entrar em casa, depois de as apagar todas, penso que te queria dizer: luta, luta por mim, luta que eu não tenho coragem. Não tenho coragem de admitir que é essa letra que falta no meu abecedário, que é essa a letra que alegra o meu dia quando vibra no bolso e leio as tuas palavras, que é essa letra que me adormece à noite na solidão de uma cama imensa com outro corpo deitado sempre de costas para mim. Éfe ponto, não me sais do pensamento, mas tenho medo de pensar em ti. Por vezes proíbo-me de pensar em ti. Apaguei até a tua letra do meu telemóvel, como penitência, para resistir e não cair na tentação de te mandar uma mensagem escrita. Sei que és proibido. É proibido pensar em ti, sonhar-te, querer-te. Mas não te consigo apagar de mim. E com a noção de que não te estou a deletar da minha vida, ao apagar o teu número do teu telemóvel, escrevo-o na última pagina da minha agenda, forrada a tecido vermelho com caracteres e motivos chineses que comprei à uns anos na China Town de S. Francisco, e que agora te serve de esconderijo. Ali estás tu, agora escondo-te no meio de uma quantidade incrível de rabiscos e lembretes e códigos e chaves de acesso, que eu acabo sempre por esquecer. Ali estás tu escondido, perto da password do meu blog. Escrevi-te o mesmo código. F. Estás aí. Eu sei que estás aí. E a quantidade de vezes que abro a agenda na ultima página e olho o teu número. Às vezes abro a agenda, só mesmo para te olhar, para olhar esse F., e ter a certeza de que estás aí, que não te foste embora. Durante quanto tempo mais vais estar aí? Durante quanto tempo mais vais esperar de mim? E se te cansares de esperar por mim? E limito-me a olhar para esse F., e a desejar-te num silêncio proibido, e a desejar, que não te canses. Não te canses, por favor, meu Éfe ponto. Não te canses de esperar por mim. Eu sei que estás aí, que tu me procuras e que eu fujo de ti. Eu sei que estás aí, mas continuarás aí, à minha espera, quando for à tua procura?

6 comentários:

Pralaya disse...

O dilema, sempre digo que muitas vezes encontramos a pessoa certa na altura errada. O que bem visto é melhor do que encontrar a pessoa errada na altura certa.

pedropina disse...

adorei o comentario.......e o resto digo-te pesoalmente

Denise disse...

E não podes ser tu a fartar-te de esperar por algo que tu impões na tua vida?!
Concordo com o comentário aqui em cima... e digo mais, muitas vezes bastava simplesmente conhecer a Tal Pessoa, numa outra altura, num outro contexto...
Enfim...

Beijinhos*

pedropina disse...

afinal nao foi preciso esperar....F. raptou-me de uma vez por todas....

gaohui disse...

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