17.7.09

NUM GRANDE CENARIO DE PAPELAO




Um dia acordas de manhã e percebes que perdeste tudo. Perdeste o comboio, perdeste as horas, perdeste o tempo, perdeste a tua vida, perdeste os teus sonhos, perdeste até a única e grande oportunidade de seres feliz. E perdeste o amor. É de manhã mas é como se fosse noite. O sol já não existe e não tem qualquer importância. Olhas para a janela e é como se tivesse sido invadida por uma cor estranha que não consegues decifrar e que talvez nem sequer exista. Porque lá fora já não existe nada. Essa janela de que falas, é apenas cenário de cartão, numa parede falsa que te mostra uma fotografia mal tirada daquilo que tu sonhaste que poderia ser a realidade. Pensas que nem sequer vale a pena levantares-te do sítio onde estás e tentares tocar-lhe porque vais cair num vazio mais profundo do que aquele onde estás. Então não te mexas. Não faças absolutamente nada. Se é nisso em que acreditas, fica nesse buraco absurdo que tu construíste e de onde já não te consegues levantar e não faças nada. Já nem sequer existe nada a fazer porque as tuas pernas também não se querem mexer. Talvez nem sequer sejam pernas. Talvez sejam pedaços de um manequim de roupa em exposição com restos de uma colecção passada em cheiros de naftalina e suor, carcomidos por bichos e pelo tempo. E apercebes-te que a realidade, afinal não existe. Tudo não passa de um grande cenário mal construído. E até tu talvez não estejas aí. E agora? Essa crucial pergunta que separa o passado do futuro e tenta por em causa um presente. E agora? Levantas-te e tentas rasgar o cenário e caminhar até encontrares uma pedra por mais pequena e sozinha que seja, para começares a construir uma realidade. E se nunca chegares a encontrar uma pedra? A estrada dos tijolos amarelos foi pintada noutro sítio. E se não existirem pedras? E se essa estrada não existir? E se não existir nada? E se de facto já nada for possível? A Dorothy estava apenas a sonhar ou tinha tomado demasiados calmantes. Então deixa-te estar para aí deitado nesse buraco que tu construíste ou que algum cenógrafo construiu para ti. Porque até esse buraco vai desaparecer um dia. Porque o papel desfaz-se. Tudo se desfaz e se torna num imenso nada. E aí, vais tentar olhar essa janela da fotografia com uma cor que não consegues decifrar, e já não existirá janela. Já não existirá nada. Todo o cenário foi convertido em pó. E um dia apercebes-te que é tarde demais. Que tudo acabou. Que até o cenário falso se desfez e foi transformado num outro cenário para outros personagens. Porque tudo é cíclico. E voltamos sempre ao mesmo. Mas a mesma cena não é filmada duas vezes. Aproveita o cenário enquanto o tens, pois depois de dizerem: “corta” acabou a tua cena, a tua oportunidade e nem sequer resta a esperança de tornar esse cenário realidade, como que por um golpe de magia ou por trabalho árduo de esperança e luta. Vais continuar aí deitado? Ainda aí estás? Esperas o quê? Um sinal? Que te toquem à campainha e te digam: cheguei, sou eu, a realidade! Vim-te buscar! Então deixa-te aí estar à espera. Quando a campaínha ensurdecer ou tu próprio entrares num estado de decomposição zombie, já nada terá importância. Mas o que fazer? E agora? Outra vez essa pergunta? Essa pergunta, para a qual desconheço resposta, caso contrario não estaria aqui. E agora? E agora só tens de decidir se queres continuar nesse buraco ou se ainda te resta uma esperança de tentar demover esse cenário de papelão mal construído, e tentares primeiro derruba-lo e segundo, ir devagarinho encontrando pedras verdadeiras, amarelas ou de uma outra cor qualquer, que a pouco e pouco o transformem na realidade que sempre sonhaste para ti. E se nunca chegares a conseguir, pelo menos tentaste. Não te esqueças disso. Nem que morras a tentar. Segue o meu conselho. Talvez o comboio ainda passe outra vez. E quando entrares iras perceber que afinal era o teu relógio que estava mal sincronizado. E lá ao fundo estará alguém com uma caixa-surpresa para ti. A caixa dos teus sonhos. E essa caixa não será de papelão, nem será apenas um adereço. Será a possibilidade de seres feliz de verdade. E agora? Só te resta tentar.

(ao meu chocolatinho)

escrito em 10.09.2006


1 comentário:

Anónimo disse...

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