26.9.06

O MENINU DA LUA E PIANO



Já vou! Porque é que eu não fiquei em Lisboa? Porque não posso passar o Verão todo dentro do mar? Deitava-me e ficava três meses a boiar. Deitado de braços abertos a flutuar com a lua a tomar conta de mim. Depois ela vinha-me buscar e embalava-me. Já vou! Pelo menos em Lisboa, eu como à hora que me apetece e aquilo que me dá vontade. Nem que seja nutela o dia todo. Não é exactamente por isso que cada humano tem uma vontade diferente do outro? Não é isso que faz de cada um de nós seres tão especiais? A felicidade está em vermos cumprida a nossa vontade, em cedermos aos nossos impulsos. É essa a liberdade que procuro. De respirar fundo, e estar em paz comigo mesmo porque sei que fiz aquilo que me apeteceu e satisfiz o meu eu mais profundo. Quero ser livre. Eu já vou! Quem disse que tenho de passar três meses na terrinha a trabalhar na empresa dos meus pais? As ferias, que eu me lembre, não são para acordar com despertador. São para dormir até explodir e depois sair da cama a correr em direcção ao mar. Ou então deambular pela casa em boxers e t-shirt até à hora de almoço e sentar-me à mesa ainda a tentar abrir os olhos e decifrar o que a mãe preparou para comer. Dar-lhe um beijo, dizer-lhe que a adoro e depois ir deitar na relva do jardim deitado de mão-dada com ela a decifrarmos as formas das nuvens. O criador das férias neste momento deve estar a ter uma verdadeira congestão. A sua criação não foi concerteza para passar os dias todos até as 19h na empresa afundado em papéis enquanto os outros correm sem destino. Também não quero ter destino. Lisboa liberta-me, aqui sinto-me verdadeiramente oprimido. E começa pelo facto de a maioria das minhas opiniões não ser tomada em contada. Acabo sempre por guarda-la no bolso pequeno dos jeans e fecha-la bem fechada até ela se engolir e se esquecer dela própria. E assim também eu me esqueço de mim. Num mundo onde a minha opinião não é valida, eu não existo. Já vou, eu não disse que já ia? E o pior de todos é o meu irmão. Ele terá a consciência de que eu existo, sou um ser com um cérebro plantado no crânio a desenvolver-se – pelos vistos mais que o dele – que já não tenho 14 anos e que por ter um ponto de vista diferente, não quer necessariamente dizer que estou a abater aviões suicidas contra as torres do quarto dele? Mas eu não lhe vou explicar isso. A atitude dele é uma reflexão-espelho da do meu pai. E como filho de peixe...não toca piano, sento-me, estico os dedos e esqueço tudo isto. É a melodia que me faz sair daqui. Os meus dedos, um a um tocam nos pontos de saída. Fecho os olhos e deixo ir-me. Vens comigo avó? Levamos o piano e vamos até à lua. Já não quero ir para o mar, avó. Balança muito e depois tudo me soa a si bemol. A lua tem lá um cantinho perfeito para pormos o nosso piano e tocarmos. À noite deitamo-nos na nela, esperemos que não caia. Acho que essas duas pontas estão bem presas no céu e é como a nossa rede para dormirmos, mas de uma luz resplandecente de magia. Nas noites em que estiver muito vento, avó, eu sento-me ao piano e toco aquela música, lembraste? Tu levantaste e danças para mim na tua camisa de noite e os teus cabelos brancos voam e dançam contigo. Quando tivermos saudades da mãe, peço ao peter pan, que é o meu mano adoptivo, para ir lá buscá-la, e ficamos os quatro sentado na lua partida ao meio. Depois, tu fazes-me festinhas nos meus cabelos, e chamas-me menino da lua. O piano está esquisito, avó. Parece que está a arranhar. Esta escala não tocava assim. O quê? Ah! Já percebi o que é! Eu já vou!!! Nem sequer posso estar sentado ao piano. Desculpa avó. Temos que nos deitar na lua outro dia. Diz ao peter pan, que eu depois vou lá ter. Vou convencer a minha mãe para me deixar ter pelos menos umas horas de férias enquanto desenho claves de sol à mesa de jantar.

(ao joao pedro)

2 comentários:

pedro rua disse...

Simplesmente Linduh!!
Obrigado manuh! mesmo...
mas és mt mau: poes-me assim a xorar a noite inteira...
És e alimentas a força que há dentro de mim para continuar neste mundo
podre!!
obrigado manuh!! és o meu maninhuh pa sempre
Muita Luz, Paz e Discernimento!
Segue sempre sempre a Luz que brilha no teu olhar, e esse pequeno Sininho
que habita no teu coração
Até já...

Do teu manuh, sempre
meninudalua

Anónimo disse...

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