10.9.06

O ORIGINAL E A COPIA NA PROXIMA COLECÇAO




Quem bebe Veuve Clicquot, bebe Veuve Clicquot e quem bebe Espumante Raposeira, bebe Espumante Raposeira. Não estou a criticar, estou apenas a constatar que são estilos, formas de vida, contextos e escolhas diferentes. Claro que existem imitações perfeitas, mas o verdadeiro e o original destaca-se. Quem veste Zara, veste Zara, quem veste Gucci, veste Gucci. Claro que na feira da Ladra, ou mesmo em Roma, ou nos ciganos na baixa, compramos LV sem a base em baixo perfeita, ou LV com letras em HV ou WH, o que para muita gente é indiferente, pois as letras sobrepostas até disfarçam e o que importa é comprar uma mala com asas e de preferência mais barata que uma Louis Vuitton verdadeira. Tudo isto sempre me fez muita confusão, mas afinal a meio do caminho perguntamos, quem imita quem, e não andaremos todos nós a imitarmo-nos uns aos outros. Os criadores vão à rua buscar as tendências inspiradas num street wear espontâneo, que depois relançam como criação original. Por sua vez as lojas de mono-produto em série imitam os criadores em cópias perfeitas em tecidos e mão-de-obra mais baratos. Estas imitações de fácil acesso são muitas vezes combinadas com roupas antigas e usadas por pessoas na rua que depois servem de inspiração à próxima tendência dos criadores e assim sucessivamente. Por tudo isto é que eu não me importo de cortar boxers comprados no continente e pagar às costureiras para fazerem igual mas nuns tecidos giríssimos num Armazém de tecidos na Maia, e chamar-lhes a minha próxima colecção de fatos de banho de homem. Porque todos sabem que aquilo que levam para as piscinas e para a praia, é um fato de banho de marca, e não os boxers comprados no Continente. Para a colecção de Inverno de senhora já está decidido. Não adianta os estagiários continuarem a desenhar infinidades de rascunhos com os estiradores forrados a Vogues abertas nas produções Gucci e Calvin Klein, sim porque quem desenha, elabora os croquis e as planificações, são eles, eu nunca peguei num lápis. Não conseguiria fazer um risco a direito. Eu avalio e selecciono aquilo que eles propõem. Mas para esta estação está tudo decidido. Comprei uma gabardine transparente giríssima e um top em crochet na Zara e vou mandar fazer igual a uma fábrica ali em Santo Tirso. A gabardine fica exactamente no mesmo pvc e ao top acrescentam apenas uma fita de cetim e é só pôr a minha etiqueta. Mandei fazer umas etiquetas óptimas com a minha assinatura em preto. Muito minimais. O minimalismo é que se usa. Até no desenho e na criação. É muito mais minimal copiar directamente duma peça do que ter de estar a copiar duma revista. É que além de dar muito mais trabalho, nunca se sabe muito bem como é que eles fizeram o molde, e depois as costureiras não acertam comas costuras e fica tudo torto e vai um rolo de tecido inutilizado para o lixo. Estão-me sempre a acusar que as minhas colecções são todas iguais mas eu pergunto, quando têm o vestido no corpo se alguém lhes pergunta se é da estação de 98 ou da de 2002. É indiferente. O importante é estarem lindas, estejam os buracos este ano mais abaixo ou mais acima. Ninguém percebe nada. Por isso é que no desfile de ontem à noite, que diga-se de passagem foi um sucesso e as luzes e a música estavam de arrasar, foi preciso inserir umas calças da colecção de 96 que estavam esquecidas no show-room, e uma camisa da minha da Mango que foi só preciso cortar a etiqueta e fez um coordenado lindo. Obviamente que o que importa é a imagem e o ar que se dá às coisas. Já ninguém percebe quem imita quem, nem quem desenhou o quê, portanto é indiferente copiar, criar ou utilizar uma peça que não é minha num desfile meu. Até me dá muito menos trabalho. Uma camisa básica, é uma camisa básica, seja ela Zara, Mango, Origem, Massimu Dutti, Gucci, Prada, Armani ou Calvin Klein. Então para que é que eu vou ter o trabalho de mandar o estagiário copiar da revista, ou a costureira copiar a peça, se posso pegar na camisa, cortar-lhe a etiqueta e pedir simplesmente à manequim que a vista? A loja vende bem, a roupa é várias vezes utilizada em produções de moda de algumas revistas, eu sou frequentemente convidada para entrevistas e festas, o meu nome circula entre os melhores dez estilistas portugueses, o que é que eu quero mais? Claro que eu não pretendo ser uma Vivianne Westood, um Galliano, um Dino Alves ou uma Ana Salazar, para isso tinha que me dar ao trabalho criar coisas inovadoras e originais e não tenho pachorra para estar enfiada no atelier deitada no estirador com dez grossuras de lápis e papeis diferentes. E além disso uma cópia é uma cópia, e o original é o original. E quem comprar sabe sempre. Nem que não seja pela quantidade de zeros que encontram antes do símbolo do Euro. Distinguem sempre a cópia do original. Espero bem que o distingam, porque com toda a gente a copiar-se, já nem eu sei distinguir uma LM duma LV.

1 comentário:

Anónimo disse...

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