10.4.07

QUERES NAMORAR COMIGO?



Abraçaste-me, beijaste-me e levaste-me a jantar ao chinês. 5 Minutos depois disseste que me amavas. 10 Minutos depois pediste-me em namoro. Foi como aquelas dietas fantásticas, do tipo: perca tudo em 5 dias. Mas neste caso era mais: ganhe tudo em 5 minutos! E tal como nos filmes: -Posso pensar? Que costuma ser mais ou menos a tábua de salvação para quem não quer ser mal-educado, nem desagradável. Eu conheço-te há uns minutos, como é que vou aceitar namorar contigo? Namorar para mim é uma coisa muito séria. É preciso estar apaixonada, ter sentimentos e objectivos em comum. Como diz a música, é preciso alguém que ouça a mesma canção. E eu nem sequer sei se tu gostas de música, muito menos o que ouves. Ainda não sei nada de ti. Vou à casa de banho. Desço as escadas. Procuro o interruptor. Não encontro. Bolas, só a mim é que me acontecem estas coisas. Também não faz mal, eu só vim aqui para fugir da situação e fazer tempo. Posso perfeitamente cozinhar uns segundos às escuras. Entro. A luz acende-se automaticamente. Boa, já nem para acender uma luz precisamos das mãos. Qualquer dia basta pensar e por telepatia: acendem-se luzes, abrem-se portas e enviam-se mensagens internacionais para a Austrália. Agora podia ficar aqui a dissertar um pouco mais sobre portas e luzes automáticas mas não posso, tenho outro dilema entre as têmporas. O que faço eu agora? Se não aceito, podes ficar ofendido e achar que tenho alguma coisa contra ti. E não tenho. Afinal se eu não te conheço, nem sei absolutamente nada acerca de ti, como posso ter alguma coisa contra? Se aceito, posso bem estar a mostrar que sou uma rapariga fácil e quem sabe se não me estou a meter numa alhada. Já estou aqui há demasiado tempo. É melhor subir, não vás tu pensar que assustaste a presa e que fugi pela porta traseira dos chineses. Lavo as mãos, só por descargo de consciência e sentir que estive aqui a fazer alguma coisa. A barcaça do ananás está vazia e enquanto desistimos de procurar restos de gambas como um sem abrigo procura um pedaço de pão seco no lixo, vamos discutindo a impossibilidade de se dizer “eu amo-te” cinco minutos depois de se conhecer alguém. Eu, como não gosto das sobremesas chinesas, tento explicar-te que “amor à primeira vista” é apenas um conceito, uma metáfora género fábula de animaizinhos falantes, que possui o seu simbolismo e que por sinal acho muito bonito e bastante romântico, mas não é para ser levada à letra. Tu pareces que levas tudo à letra e só dizes que me amas desde o primeiro minuto em que me viste, tudo com esse sorriso embevecido e um brilho no olhar flamejante de quem me deseja conquistar profundamente. Mas eu não levo tudo à letra. E, ou estás dar-me conversa a ver se caio na tua cantiga ou então não te entendo. Estranho. Espero não ter voltado à Torre de Babel. Não falamos a mesma língua. Eu acredito na paixão à primeira vista, no olhar, na sedução, no romance, no encantamento, na curiosidade, no morder de lábio, no brilho do olhar, na conquista, nas rosas vermelhas, nos poemas, nos chocolates, nas surpresas, em dançar abraçado, em andar de mão dada, em estarmos nus deitados na cama a ver a lua depois de fazermos amor e na esperança da transformação de tudo isso num grande amor, forte e verdadeiro que me ligue a alguém eternamente. Mas não acredito que se pode começar a amar alguém desde o primeiro minuto. Para mim amor é algo mais profundo. Uma palavra banalizada pela televisão e que penso que até hoje eu nunca senti. Não te sei explicar o que é amor. Deve ser uma daquelas palavras que não devia ter significado do dicionário, pois é impossível de verbalizar por outras palavras. Uma vez fui ao dicionário ver o que tinham escrito. amor, s. m. – sentimento que nos impele para o objecto dos nossos desejos. Não me identifiquei nada com essa descrição de manual técnico de informática acerca de um chip ou dispositivo raro, em códigos de fios de todas as cores e muitos números. Não sei descrever essa palavra. Mas sei que não se pode reduzir a essa explicação da Porto Editora. E o “s. m.“ eu acho sempre que é sado-masoquismo. Tu, que já não sei se me estiveste ouvir ou não, porque eu falo pelos cotovelos, rematas o meu discurso com um olhar de forno em alta temperatura. E derretes-me. - És um perfeito diamante em bruto que gostaria de lapidar. Vê lá não de magoes com as limas, não vás partir uma unha. Não sei como reagir. Não sei o que dizer. O que é que se diz quando alguém nos faz inesperadamente um elogio, que por acaso nós nem sequer achamos que corresponda à verdade? E que sou linda de morrer e que sou uma estampa e mais não sei o quê. E eu, que não estou nada habituada a esse tipo de elogios, mudo de cor e em vez de esmeralda transformo-me em rubi de tão embaraçada que estou. É que na verdade não me acho bonita. Sou uma simples rapariga de caracóis ruivos que saiu do Alentejo para ser pintora. Considero-me normal, comum. Tão somente uma rapariga. E tu deves dizer isso a todas, tens a lábia toda e conheces de cor a cantiga do malandro, mas para já sabe-me bem ouvir. Ando tão perdida que talvez me encontre nos teus elogios e o meu ego se levante um bocadinho. O teu pelos vistos alugou uma suite na nuvem mais alta concerteza. Tens sempre um ar muito confiante de quem tem a certeza das coisas que diz. Pareces ter a certeza de tudo e principalmente de ti, que é o mais importante. Acreditas em ti. Confias em ti. Eu diria que tens auto-estima e auto-confiança avaliadas no sítio certo. Caminhas com o olhar de arquitecto, que é como quem mede o último telhado do prédio mais alto. Nunca olhas para o chão. Nunca olhas para trás. Olhas em frentes, destemido e convicto das tuas certezas. É esta segurança que começo a admirar em ti. Quem sabe até me podes vir a fazer bem? E quem sabe até sejamos felizes e compramos joias e uns cavalos? Não sabia eu, o quanto patética estava a ser, ao por em causa verdades tão absolutas e verdadeiras como a intuição. Um dia vou perceber que existe um sentimento chamado intuição, que não sabemos de onde vem, que não sabemos o que quer dizer, posto em causa por muitas pessoas e que até nos faz tremer porque de repente nos aparece ali uma luzinha a piscar, a piscar. Mas essa luzinha, enquanto acende e apaga, purpurinada pela Sininho, mostra-nos imagens daquilo em que acreditamos ser o certo. Nessa altura não devemos duvidar da luzinha. Devemos aceitá-la apesar de não a compreendermos ou sabermos explicar. É uma questão de fé. E no fim, misteriosamente, ela prova-nos que esteve sempre certa. Mas, ignoro-me a mim mesma e às luzes de Natal. Depois de te dizer que não faz sentido levares-me a casa de taxi, que é a cinco minutos a pé do restaurante, que eu adoro caminhar e que muitas vezes quando estou stressada vou até baixa a pé, lá aceito os teus esforços conturbados para mostrares que és um cavalheiro. Seja o que Deus quiser, no meio do taxi digo-te sim. Tu olhas para mim com cara de espanto.
- Sim, o quê?

7 comentários:

Denise disse...

Hahaha.
Desculpa, no fim do texto não consegui evitar rir.

Compreendo. Depois de ela falar no Anel de Rubi, - sim pk eu gosto das músicas do Rui Veloso e essa é uma das minhas favoritas.- de andar a disertar sobre o amor, - para mim é uma montanha russa - e de justificar o que não tem justificação. Depois de tudo até eu já me tinha perdido.
Bem, ao menos o sim foi dito. Com convicção?!

Beijinhos*

pedropina disse...

nao, nem por isso......... mas deu em 2 anos! ja passou!

inperpetuum disse...

Bom... Adorei este em particular!! FAz-me rir ler estas visões de uma mulher. Escreves com simplicidade, veracidade e com muito sentido de humor! Muito bom! ;) xi coração e tudo de bom!

pedropina disse...

mas estas visoes sao mesmo de um homem......

Anónimo disse...

simplesmente genial pedro :)
este post fex-me lembrar a personagem da carrie no sexo e a cidade :)
continuaçao de bom trabalho!
aquele abraço, beto valles

gaohui disse...

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