26.4.07

CERVEJA COM TREMOÇOS


O que faz uma simples mortal no meio de tanta televisão, passerelle e socialite? Tu ficas espantado quando nos vês e eu, atrapalhada e inibida com tanta figura pública. Tudo com um ar muito importante e sempre com um sorriso estudadamente desenhado e preparado para qualquer flash desprevenido. Vou com a Susana beber qualquer coisa a ver se me passam os nervos e como disseste que era bar aberto assim sempre recuperamos o dinheiro do táxi. Pedimos duas vodkas limão. Viramos costas e vamos observar da varanda o panorama. Ouço alguém a chamar, mas de certeza que não é comigo. Aqui ninguém me conhece. Uma manequim toca-me nas costas e faz-me sinal que o barman nos está a chamar. Tenho vontade de lhe cuspir naquele sorriso irónico, mas delicadamente engulo e agradeço. Vamos até ao bar para averiguar os acontecimentos.
- Esqueceram-se de pagar as vodkas. São 15€ cada uma.
- Mas não era bar aberto?
- Só para a cerveja!
Que vergonha! Estas coisas realmente só me acontecem a mim. Pagamos os 30€ e desaparecemos dali em micro-segundos. Agora percebo porque cheira tanto a cerveja! Realmente, nenhuma das figurinhas sorridentes está de flute na mão. Que não há Moe Chandom e que nas festas se bebe espumante nacional disfarçado de chique, já eu andava cá desconfiada, mas estão a beber cerveja! Agora percebo porquê. A festa é patrocinada por uma marca de cerveja nacional, que é oferecida aos convidados. E é ver os VIPS de copo de plástico na mão e a comer tremoços, sempre prontos para a fotografia só para não pagarem 15€. Ora lá se foi o dinheiro do táxi e a dobrar! Afinal as figurinhas sorridentes são tão pobres como nós. Sorriem é mais porque vivem de vestidos emprestados e borlas nos cabeleireiros, como tu já me explicaste. A meio da festa vens ter comigo. Dizes-me que acabaste agora mesmo de falar de mim a um cantor qualquer que ali estava. Eu bem te vi a apontares para mim.
- Vês? Já tens? Eu tenho!
Sinto-me completamente a tua boneca de estimação nocturna. Uma conquista barata da noite, a tua última brincadeira ou aquisição. Estou mesmo quase a chamar-te palhaço, quando uma loira qualquer apresentadora de televisão ou modelo, não sei muito bem o que faz, além de sorrir e mostrar as pernas e os namorados nas revistas e de adivinhar o tamanho do sexo dos homens pela análise dos dedos das mãos, chega para te dar dois beijinhos.
- Tiram uma fotografia connosco?E lá tiramos a fotografia. Eu a fingir que sorrio e a Susana a rir-se daquilo tudo. A cientista despede-se num sorriso cínico e enjoado de gozo, olhando para mim. Chega! Acabei mesmo agora de decidir que chega. Digo à Susana que me quero ir embora o mais rapidamente possível, senão ainda arranco as extensões à loira enjoada que está a gozar comigo como se eu fosse alguma criança órfã, perdida no meio dum palacete. Estou completamente arrependida de ter vindo. Isto não faz sentido absolutamente nenhum. Preciso de ir para minha casa e já! A Susana insiste que é boa educação e que lhe fica muito bem despedir-se da vedeta do meu namorado, ou talvez ex. Lá vamos nós, só para ela se despedir, já que eu não faço a menor intenção de o fazer. Não tenho porquê despedir-me de alguém que me considera um troféu semanal, daqueles que saiem naquelas máquinas em que se colocam moedas, género animais amestrados de peluche. Quando o encontramos, ele ri-se junto duma figura metade homem, metade mulher, casada com uma idosa de maquilhagem escura e cabelo armado em sotaque inglês. O pesadelo converteu-se em realidade. Não grito porque me contenho. Mas que apanho um susto, apanho. Eu que não faço a menor intenção de ser apresentada a semelhante ave rara, dou meia volta em peão e dirijo-me exactamente para o lado oposto da discoteca, assim que o vejo fazer o típico gesto com a mão, de modelo que declama: and the winner is...! Apanhamos táxis para casa. Eu estou na minha, a chorar, quando a meio das lágrimas, ela me telefona a dizer que se esqueceu das chaves dentro de casa e não quer acordar os senhorios. Realmente a noite está a ser perfeita para as duas. Acabamos a noite a beber chá de pétalas de rosa e canela, mas de telemóvel completamente desligado. Depois disseste-me que tinhas estado à minha porta de táxi, mas como eu tinha o telefone desligado não te atreveste a tocar à campainha. E ainda bem, porque eu estava tão furiosa que era bem capaz de dar um salto mortal em karaté, género um dos anjos de Charlie quando atacado, a ver se arranjas outra mascote para exibires nas tuas festinhas.

4 comentários:

nena disse...

para a próxima,levas-me a mim, vais ver que te divertes muito mais ó coisa boa!

Denise disse...

"Há dias em que à tarde não vale a pena sair à noite."
Que cena!

Beijinhos*
p.s. ver-me dançar?! Quando eu estiver por Portugal e me conseguir equilibrar na totalidade na pontinha dos pés.
Quem sabe antes disso o sonho de lançar o livro se realize e me peças um autógrafo!

pedropina disse...

entao kdo vieres ca kero mesmo conhecer-te..........e o k eu adorava conhecer moçambique!....

e XIM kero um livro autografado xó meu!

Anónimo disse...

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